segunda-feira, 27 de junho de 2016

[Dica da Malu] Minha vida mora ao lado


“Minha mãe nunca ficou sabendo de uma coisa, algo que ela reprovaria radicalmente: eu observava os Garrett. O tempo todo.”

Em Minha vida mora ao lado, romance de estreia da autora Huntley Fitzpatrick, conhecemos a jovem Samantha Reed, uma adolescente que tem tudo, mas sonha com a vida da família que mora ao lado da sua casa. O livro vai além de um romance adolescente, abordando temas importantes como a família, o amadurecimento, a honestidade e a importância das escolhas que fazemos.
Samantha é uma adolescente de 17 anos que mora com a mãe e a irmã mais velha e tem uma vida totalmente controlada. A mãe, Grace, é uma mulher metódica e organizada, que tenta passar essa disciplina para a vida das filhas, enquanto se dedica a carreira política. Tracy, a mais velha, era a mais rebelde e conseguiu escapar do controle materno. Sam, por outro lado, via toda sua vida sendo cuidadosamente planejada pela mãe, sem nunca a contestar.
Contrastando com a rigidez de Grace, a família que vivia na casa ao lado era desorganizada e barulhenta. Os Garretts tinham muitos filhos, mais do que seria aconselhável, segundo Grace, e viviam de um modo que ela desaprovada completamente. Tanto, que proibiu as duas filhas de terem qualquer contato com eles. No entanto, Sam passou anos observando-os de seu esconderijo e imaginando como seria a vida deles, que, apesar de bagunçada, parecia ser feliz e cheia de amor.
“Mesmo antes da família se mudar, era ali que me sentava, pensava e refletia. Mas, depois, era onde sonhava. [...] Era como assistir a um filme mudo, um filme muito diferente da minha vida.”
Tudo muda quando Sam conhece Jase, um dos filhos dos Garrett. A maneira simples e franca do garoto faz com que ela rapidamente se sinta à vontade com ele. Os dois acabam se aproximando e, com isso, ela passa a conviver com toda a família dele. O contraste com a sua própria vida é imediato. A condição financeira da sua mãe faz com que Samantha tenha uma vida muito confortável, enquanto que os Garrett precisam se esforçar para criar os oito filhos. No entanto, o que falta em luxo e conforto na casa deles, sobra em união, amor e carinho. Tudo que faltava na vida de Samantha.
“Nossa casa tem todas as novidades, tudo é high tech e incrivelmente limpo. E abriga três pessoas que preferiam estar em qualquer outro lugar”.
A medida que se aproxima dos vizinhos, a menina precisa lidar com o distanciamento cada vez maior da mãe. Grace começa a namorar Clay, um homem ambicioso que está ajudando em sua campanha para reeleição como deputada. Envolvida com o novo relacionamento e com a campanha, Grace participa cada dia menos da vida da filha. Assim, sem o controle constante da mãe, Sam passa a ter liberdade para fazer suas próprias escolhas, que a levam cada vez para mais perto dos Garrett.
Um dos pontos que me encantou nesse livro foi o desenvolvimento dos personagens, especialmente do casal principal. A autora consegue trazer personagens com qualidades e defeitos, o que faz com que eles sejam mais humanos e reais. Isso contribui para torná-los mais complexos e interessantes, fazendo com que o leitor compreenda seus medos, suas dúvidas e suas escolhas.
O modo como a autora constrói os dois núcleos principais da trama também é muito interessante. A família da Sam é fria, formal e desunida. Mas isso não significa que não exista um vínculo de amor entre ela, a mãe e a irmã. É um relacionamento complexo, permeado por mágoas, medos e cobranças. Já a família Garrett tem uma convivência cheia de amor e união, onde todos têm liberdade para expressar suas opiniões e participar das decisões importantes. No entanto, a vida deles também não é perfeita. O grande número de filhos acaba sacrificando um pouco os mais velhos, além de fazer com que a família precise conviver com problemas financeiros.
A história é bastante simples, mas me surpreendeu com a sensibilidade que assuntos importantes foram tratados. O romance entre Samantha e Jase se desenvolve de uma maneira muito bonita, mas está longe de ser o ponto principal desse livro. As reflexões sobre família, amizade e a importância de fazer o que é certo são, para mim, o aspecto mais interessante dessa história, que é ainda beneficiada por personagens cativantes, momentos divertidos e uma trama bem amarrada.
Gostei muito da escrita de Huntley Fitzpatrick. Achei que a autora soube dar um bom ritmo para a história, fazendo com que a leitura seja fluida e gostosa. Além disso, ela conseguiu dosar com competência clima de romance com os momentos mais sérios e dramáticos.
Deste modo, o livro foi o romance leve e divertido que eu imaginava, mas me surpreendeu pelas reflexões que trouxe. Os personagens realmente me cativaram e fiquei feliz em ver o modo como eles amadurecem ao longo da trama. Recomendo Minha vida mora ao lado por ser uma leitura simples, mas também encantadora.

Informações:
Minha vida mora ao lado
Autora: Huntley Fitzpatrick
Editora: Valentina

Páginas: 320

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Blog Amigo da Selo Jovem

Começando o dia com uma ótima novidade: o Dicas de Malu agora é Blog Amigo da Editora Selo Jovem.
A selo Jovem atualmente é uma empresa independente, atua no mercado do livro desde 2013 e já possuí gráfica própria, distribuição própria, salão comercial próprio, tornando-se rapidamente uma editora com base sólida e confiável. O catálogo conta com mais de 50 títulos publicados, entre eles dois livros em destaque com o selo best seller.
O objetivo da Selo jovem é publicar obras com 100% de qualidade literária, sem pressa e trabalhando duro na revisão dos textos. Contam com ótimos profissionais desde; diagramadores, revisores, capistas, design e uma gráfica de qualidade.
A selo jovem foi fundada no mês de Março 2013, preparados para ingressar nesse mercado deram os primeiros passos e publicaram seus primeiros livros. Como toda empresa estreante tiveram problemas com preços, qualidade, e prazos. Mas jamais desistiram e continuaram trabalhando a fim de ganhar experiência e amadurecer a cada dia.
Hoje contam com 50 títulos publicados. Recentemente adquiriram gráfica própria e passaram a produzir os livros internamente. Seus profissionais obtiveram experiência e aprenderam a trabalhar de maneira simples e objetiva, estão constantemente contratando profissionais na área de revisão e buscando por novos trabalhadores nas áreas de marketing e traduções.
Além de um quadro profissional totalmente renovado, firmaram contrato com os correios e seus títulos recebem frete fixo para todo o território nacional. Seus livros possuem a mesma qualidade de outras editoras, todos os livros são costurados e colados, no papel pólen bold e soft, as capas são impressas em papel supremo e cartão triplex. Atualmente publicam livros nas medidas 14 x 21 cm, 16 x 23 cm e 12x 17 cm.

Apesar de novos no mercado são conhecedores das dificuldades encontradas no Brasil, tanto para escritor e Editor.

terça-feira, 21 de junho de 2016

[Lista] Cinco livros para ler no inverno

A estação mais fria do ano chegou (finalmente!), e com ela veio também a vontade de ficar enrolado nas cobertas, lendo um bom livro e tomando um chá/café bem quente. Pensando nisso, fiz uma lista com cinco livros que são a cara dessa estação do ano e combinam perfeitamente com esse plano.
Então, prepara o chá e as cobertas, porque o que não vai faltar é opção de livro para aproveitar o inverno.

1 – O rei do inverno – As crônicas de Artur, vol. 1, de Bernard Cornwell
            Só pelo título, já não preciso nem dizer o motivo deste livro estar na lista. Mas, além do nome, a própria história e o ambiente em que ela se desenrola, combinam muito com o inverno.
Sinopse: Primeiro volume da trilogia que conta a mais fiel história de Rei Artur. A partir de fatos, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos.
Editora: Record / Páginas: 544

2 – Orgulho e Preconceito, de Jane Austen
            Eu não sei explicar bem o motivo, mas sempre achei que Orgulho e Preconceito tem tudo a ver com um clima mais frio. Talvez por ser uma história de época ou pelo clima de romance, mas sempre pensei que este livro é um leitura ideal para o inverno.
Sinopse: 'Orgulho e Preconceito' apresenta o romance de Elizabeth Bennet, segunda mais velha dentre cinco filhas solteiras de uma família inglesa sem muitas posses, e Fitzwillam Darcy, um rico esnobe que a conhece em um baile e, diferente dos mocinhos clássicos, não fica imediatamente encantado por ela. A busca das jovens mulheres por um bom casamento na sociedade inglesa rural do século XIX é o mote do romance e também o principal alvo da crítica da escritora.

3 – O nome do vento, de Patrick Rothfuss
            Acredito que livros de fantasia são ideais para os dias mais frios. Pensando nisso, optei por um indicar um dos livros que mais gosto deste gênero: O nome do vento, de Patrick Rothfuss. Gosto tanto desse livro, que foi o meu escolhido para a primeira resenha do blog (aqui).
Sinopse: Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso. Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado. Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade. Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame.
Editora: Arqueiro / Páginas:656

4 – Um estudo em vermelho, de Sir Arthur Conan Doyle
            Tem alguma coisa que combina mais com inverno do que um bom mistério? Eu acho que não. Então, lógico que não poderia deixar de incluir nessa lista um dos principais (se não for o principal) representante do gênero: Sherlock Holmes. O livro que eu escolhi foi Um estudo em vermelho, que é a minha história preferida do famoso detetive de Baker Street.
Sinopse: Publicado originalmente em 1887, “Um Estudo em Vermelho” é uma espécie de “livro do Gênesis” para os casos de Sherlock Holmes. Além de ser o primeiro livro escrito por Conan Doyle, ele marca a primeira aparição pública do detetive mais popular da literatura universal e também o primeiro encontro entre Holmes e Watson. Os dois homens decidem dividir um apartamento, e Watson descobre que seu novo amigo tem uma ocupação pouco ortodoxa: é o único detetive consultor do mundo. Em pouco tempo, Watson se vê envolvido numa história sinistra de vingança e assassinato.
Editora: Zahar / Páginas: 192

5 – A Seleção, de Kiera Cass
            Pensando em trazer uma leitura mais leve para amenizar os dias frios do inverno, escolhi o livro a seleção. Já falei sobre essa série aqui, e é uma história tão simples, envolvente e romântica que acho perfeita para ler em um dia de temperaturas mais baixas, tomando um delicioso chocolate quente.
Sinopse:  Para trinta e cinco garotas, a “Seleção” é a chance de uma vida. Num futuro em que os Estados Unidos deram lugar ao Estado Americano da China, e mais recentemente a Illéa, um país jovem com uma sociedade dividida em castas, a competição que reúne moças entre dezesseis e vinte anos de todas as partes para decidir quem se casará com o príncipe é a oportunidade de escapar de uma realidade imposta a elas ainda no berço. É a chance de ser alçada de um mundo de possibilidades reduzidas para um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha. Para America Singer, no entanto, uma artista da casta Cinco, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás Aspen, o rapaz que realmente ama e que está uma casta abaixo dela. Significa abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes. Então America conhece pessoalmente o príncipe. Bondoso, educado, engraçado e muito, muito charmoso, Maxon não é nada do que se poderia esperar. Eles formam uma aliança, e, aos poucos, America começa a refletir sobre tudo o que tinha planejado para si mesma — e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que ela nunca tinha ousado imaginar.
Editora: Seguinte / Páginas: 368


            Então, quem está preparado para a nova estação que está começando? O que não falta é opção de livros para todos os gostos. Deixe nos comentários quais livros pretende ler nesse inverno.  

sexta-feira, 17 de junho de 2016

[Dica da Malu] Como eu era antes de você

Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 320

Sinopse: Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.

Com a estreia nos cinemas brasileiros da aguardada adaptação de Como eu era antes de você, resolvi que finalmente era hora de ler esse livro tão comentado pelas pessoas. Confesso que não tinha grandes expectativas para essa história por achar que seria mais um dos vários livros de romance com desfechos dramáticos. Não que imaginasse que a história fosse ruim, apenas que não seria muito impactante. No entanto, foi uma das histórias mais lindas e comoventes que já li.
A trama acompanha Louisa, ou Lou, uma jovem de 26 anos que não tem muitas aspirações na vida. Está satisfeita com seu emprego em um café, mora com os pais, o avô, a irmã e o pequeno sobrinho, e tem um relacionamento de 7 anos com seu namorado, Patrick. Tudo ia bem para ela até que perde o emprego que tanto gostava. Sem qualificações e com pouca experiência, se quiser continuar ajudando a família, ela precisa aceitar a oportunidade que aparece: trabalhar como cuidadora de um homem que havia ficado tetraplégico.
Will Traynor era um homem realizado profissionalmente, ativo e muito aventureiro. Era CEO em uma grande empresa, viajava pelo mundo e praticava esportes radicais. Tudo mudou quando foi atropelado por uma moto e ficou tetraplégico. A partir de então, ele se mudou para a casa dos pais no interior da Inglaterra de onde ele só saía quando precisava ir ao médico.
Quando a mãe de Will contrata Lou para tomar conta dele, as diferenças de ambos ficam claras rapidamente. Lou é alegre, otimista e muito comunicativa. Já Will havia se tornado um homem amargo, sem esperanças e, muitas vezes, rude. Inicialmente, ele trata Lou com rispidez e frieza, quase fazendo a jovem desistir do emprego.
No entanto, a situação financeira em sua casa faz com que Lou permaneça como cuidadora de Will. Ela começa a trata-lo da mesma maneira que ele a tratava, surpreendendo Will e despertando a admiração dele. A partir daí, os dois se tornam amigos e começam a se conhecer melhor. Com a convivência, um muda a vida do outro de maneiras que eles não poderiam imaginar.
Meu encantamento com essa história se deu, em grande parte, pelos dois protagonistas. Lou é uma personagem adorável, otimista, generosa, sempre positiva e alegre. No entanto, um trauma do passado, somado a falta de incentivo da família, fez com que ela se tornasse uma pessoa sem ambições e sem consciência da própria capacidade. Já o Will, por trás da amargura e sarcasmo, demonstra ser um homem inteligente, culto, generoso e gentil. Os dois aprendem muito um com o outro e evoluem ao longo da trama.
A relação de Louisa e Will é completamente natural. Eles vão se conhecendo aos poucos e, com a convivência, aprendem a superar as diferenças. Com o tempo, surge a admiração mútua, o carinho e a cumplicidade. É tão bonito o modo como a relação deles se desenvolve, que é impossível não se envolver.
“Como você sabe? Você não fez nada, não foi a lugar algum. Como sabe que tipo de pessoa você é?”
Os personagens secundários também são muito bem construídos. Tive uma certa dificuldade para gostar família de Lou. Os pais dela, apesar de amorosos, parecem subestimá-la constantemente. Além disso, a irmã dela, Treena, na maior parte do tempo é mimada e egoísta. No entanto, mesmo com todos os problemas, o amor existente na família é evidente. Treena, em especial, surpreende e ajuda Lou em vários momentos difíceis.
A família de Will também não é das mais fáceis de se gostar. O pai parece ser um homem ausente e a mãe é uma pessoa severa, orgulhosa e arrogante. No entanto, o amor deles pelo filho é tão forte que acabou conquistando minha simpatia. A força que a senhora Traynor demonstra ao tentar lutar pelo filho é tão grande que é impossível não admirá-la.
Destaque também para a escrita de Jojo Moyes. A autora trata de temas difíceis com muita sensibilidade e delicadeza. Além disso, ela consegue conferir leveza e bom humor em vários momentos da história, o que facilita muito a leitura e o envolvimento do leitor.
Me comovi com esta história e tirei muitas lições. Para mim, Como eu era antes de você vai além de um simples romance. É uma história sobre amadurecimento, generosidade, respeito pelo próximo, superação e esperança. Assim, recomendo muito a leitura para todos que procurem uma história sensível, com personagens marcantes e uma bela mensagem.
“Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível.”

quarta-feira, 15 de junho de 2016

[Dica da Malu] Tá todo mundo mal: O livro das crises


Sabe quando você pega um livro para ler e ele se enquadra perfeitamente na sua vida? Então, foi exatamente essa a sensação que eu tive ao ler Tá todo mundo mal: O Livro das crises, primeiro livro da youtuber Jout Jout.
Julia Tolezano, ou Jout Jout, ficou conhecida por seu canal no YouTube, o Jout Jout, Prazer. Em alguns de seus vídeos, ela comentou sobre algumas crises que teve ao longo da sua vida. E é esse o tema do livro. Diversas crises que Julia teve em diferentes fases da vida, pelos mais diversos motivos, desde família, profissão e relacionamentos, até crises com seus Tamagotchis.
“Você provavelmente não me conhece. Ou me conhece muito. [...] De qualquer forma, somos parecidíssimos. Porque eu tenho crises e você tem crise. Quem sabe já tivemos as mesmas crises.”
Logicamente, não me identifiquei com todas as crises relatas por Jout Jout. No entanto, o livro oferece uma sensação de conforto, de sentir que tem alguém que te compreende. O que ela mostra ali é que ninguém é imune às crises, que todo mundo, em algum momento da vida, passou ou vai passar por uma.
Por acompanhar o canal da Jout Jout há algum tempo, já imaginava que poderia me relacionar facilmente com as histórias narradas. No entanto, ela escreve com tanta naturalidade, que aproxima até mesmo o leitor que não era familiarizado com o canal. A leitura flui como se estivéssemos conversando com uma amiga que está relatando situações da vida dela e mostrando que você não é o único a ter algumas crises.
“A questão é que, enquanto todo mundo parecia ter uma verdadeira vocação, ou pelo menos alguma facilidade para alguma coisa, eu me via em frente a um computador assistindo séries sem fim para esquecer o fato de que eu não tinha vocações.” (p. 74)
Aí você pode pensar: nossa, mas se esse livro só fala sobre crises a pessoa fica deprimida depois de ler, não é mesmo? Acontece que Jout Jout conta suas crises mais pessoais de uma maneira tão espontânea e divertida, que deixa a leitura extremamente leve e fluida. Me peguei rindo em vários momentos, tanto pelas situações retratadas quanto por pensar nas minhas próprias crises.
Preciso destacar aqui, inclusive, que achei a escolha do tema do livro extremamente acertada. Ao invés de optar por falar sobre sua trajetória de vida e como alcançou o sucesso, Júlia, do alto dos seus 25 anos, optou por falar sobre as crises que viveu. Situações cotidianas, totalmente normais, que poderiam acontecer com qualquer um de nós, e que, justamente por isso, aproximam o leitor.
Em uma época em que as redes sociais fazem parecer que está todo mundo bem e que ninguém tem problemas, dúvidas, medos e inseguranças, as pessoas vêm se sentindo cada vez mais sozinhas. Então, vem a maravilhosa Jout Jout mostrar que não é bem assim; que todo mundo tem crises, algumas similares, outras muito particulares, mas que a vida de ninguém é perfeita e o importante é encontrar uma maneira de lidar com os problemas e seguir em frente.
Recomendo totalmente esse livro. É uma leitura leve, muito rápida e extremamente divertida. Com certeza o leitor se identifica com ao menos uma das crises vividas por Jout Jout e dá risada em várias outras. No final, fica aquela sensação de que você não está sozinho no mundo, quase como se alguém estivesse ali te dando um abraço. Jout Jout conseguiu com seu livro o que já fazia no canal do YouTube, levar empatia para a vida das pessoas. E, para mim, isso já é o suficiente para fazer a leitura valer a pena.

Para quem não conhece o canal, eu recomendo muito. Vou deixar aqui o link para um dos meus vídeos preferidos e que coincide perfeitamente com o tema do livro. 


domingo, 12 de junho de 2016

Cinco livros para "fugir" do Dia dos Namorados

Ao longo dessa semana, dei indicações de livros perfeitos para entrar no clima do Dia dos Namorados (aqui) e trouxe a resenha do lindo romance A probabilidade estatística do amor à primeira vista. No entanto, tem muita gente que quer justamente evitar lembrar dessa data.
Eu acredito que não há razão para fazer do Dia dos Namorados uma data ruim ou deixar de aproveitar o dia só por estar solteiro. Pensando nisso, fiz uma lista com excelentes opções de leitura que não possuem o romance como aspecto central da história e que podem proporcionar bons momentos aos leitores.

Apaixonada por histórias, da Paula Pimenta.
Sinopse: Paula Pimenta é conhecida e amada por milhares de fãs por seus romances juvenis, mas um dos primeiros gêneros nos quais se aventurou em sua carreira literária foi a crônica, que escrevia e publicava em sites literários. Em 2012, lançou seu primeiro livro nesse estilo, Apaixonada por palavras, pela Editora Gutenberg. Seus leitores gostaram tanto das 55 crônicas publicadas que pediram mais! Paula resolveu atender aos inúmeros pedidos lançando este novo livro, 'Apaixonada por Histórias', que traz mais 55 crônicas. Como o título sugere, a autora desde pequena sempre teve enorme paixão por todos os tipos de narrativas, e, como maravilhosa contadora de histórias, narra várias situações que viveu em sua vida, e que inspiraram muitos de seus personagens e passagens de seus livros e séries.
Editora: Gutenberg
Este livro é composto por crônicas da escritora mineira Paula Pimenta. Ela fez sucesso entre o público jovem com seus lindos romances, mas suas crônicas também proporcionam uma leitura agradável e divertida.

Mulherzinhas, de Louisa May Alcott
Sinopse: Nascida em 1832, na Pensilvânia, Estados Unidos da América do Norte, Louise May Alcott sonhava ser atriz, mas tornou-se escritora. Inspirou-se nas próprias experiências para escrever suas histórias. Foi edu­cada pelo pai, o filósofo e educador Amos Bronson Alcott, tendo a oportunidade de conviver com inte­lectuais do círculo do pai, como Thoureau e Emerson. Em Mulherzinhas (1868), a autora apresenta o retrato de uma família de classe média norte-americana do seu tempo, salientado os seus valores morais: civismo e amor à pátria, que chega ao sacrifício de seus filhos, dedicação extrema ao lar e ao próximo.
Editora: Matin Claret
            Esse livro já apareceu em várias listas que fiz e, sim, ele possui alguns momentos de romance. No entanto, o ponto central da história é o amor existente na família, especialmente entre as irmãs. Existem várias formas de amar, e uma das coisas que mais gosto neste livro é que ele mostra que o amor romântico não é mais importante que os outros.

Star Wars: Marcas da Guerra, de Chuck Wendig
Sinopse: Marcas da guerra é o primeiro livro do cânone oficial a mostrar o que acontece depois do clássico Episódio VI: O retorno de Jedi. Nesse novo panorama galáctico, vamos descobrir que a guerra ainda não chegou ao fim... e que os traumas deixados por ela ainda serão sentidos por muitos e muitos ciclos. Capitão Wedge Antilles, almirante Ackbar, almirante Sloane, o garoto Temmin e a mãe, Norra Wexley, a caçadora de recompensas Jas Emari, o antigo agente imperial Sinjir: novos personagens e velhos conhecidos dos amantes da saga, que sempre estiveram envolvidos na luta, agora devem escolher o lado a que deverão jurar lealdade. Deverão colocar-se ao lado da Nova República, procurando estabelecer um novo governo democrático na galáxia? Ou juntar-se às fileiras imperiais, na tentativa de voltar ao poder absoluto depois das mortes dos lordes Sith Palpatine e Darth Vader?
Editora: Aleph
Para quem quer evitar o romance, nada melhor do que um bom livro de ficção. Uma leitura envolvente e dinâmica, com personagens interessantes e que evoluem ao longo da trama.

O doador de Memórias, de Lois Lowry
Sinopse: Em O doador de memórias, a premiada autora Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não há amor, desejo ou alegria genuína. Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente – o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo.
Editora: Arqueiro
Esse livro se trata de uma distopia situada em um universo interessante e complexo. Aqui, Lois Lowry faz reflexões interessantes sobre a natureza humana e sobre a importância das nossas memórias, sentimentos e emoções.

Jogos vorazes, de Suzanne Collins.
Sinopse: A história se passa em uma nação chamada Panem, fundada após o fim da América do Norte. Formada por 12 distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital, sede do governo. Uma das formas com que demonstra seu poder sobre o resto do carente país é com os 'Jogos Vorazes', uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de 12 a 18 anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte. Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido Distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos 'Jogos Vorazes'?

Editora: Rocco
Sim, eu sei que esse livro traz vários momentos de romance, especialmente por trazer um triângulo amoroso bem marcante. No entanto, este não é o ponto central da história. O foco central é uma sociedade distópica onde um governo totalitário oprime e explora dos distritos que o compõem para manter uma vida de luxo para os habitantes da capital, e crianças são enviadas para um verdadeiro sacrifício que reforça o poder e o controle do governo sobre a vida das pessoas. O livro, além de uma história envolvente com uma protagonista admiravelmente forte, traz inúmeras reflexões, especialmente sobre os perigos de um governo totalitário, o uso da mídia como uma forma de massificar e alienar as pessoas, e as relações humanas e o modo como as pessoas reagem em situações extremas.
Gostaram da lista? Agora não tem mais a desculpa de falar que não aproveitou o domingo só por causa do Dia dos Namorados, hein? É só aproveitar o dia de folga, fazer um chá ou café bem quentinho para esse tempo frio e se preparar para uma boa leitura.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

[Dica da Malu] A probabilidade estatística do amor à primeira vista

Autora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Páginas: 224

“Quem diria que quatro minutos podem mudar tudo?”
É por causa de quatro minutos de atraso que Hadley, a protagonista de A probabilidade estatística do amor à primeira vista, perde o avião que a levaria para Londres, para o casamento do pai. Assim, Hadley precisa ficar mais quatro horas no aeroporto esperando o próximo voo e acaba conhecendo um rapaz chamado Oliver. Coincidentemente, ele também iria viajar para Londres e os assentos dos dois eram próximos. Assim, eles ficaram conversando não só durante o tempo de espera, mas ao longo do voo também.
Tem muito tempo que estou querendo ler essa história e não me decepcionei nem um pouco. Pelo contrário, me surpreendi positivamente com a história e os personagens. Gostei principalmente da relação de Hadley com o pai.
A trama vai intercalando o presente dos personagens com acontecimentos passados, explicando o que aconteceu com a família de Hadley e o que fez com que sua relação com pai tivesse se tornado tão complicada. Ao mesmo tempo, Hadley e Oliver vão se conhecendo por meio de conversas repletas de humor, descontração e muita fofura. Sério, o Oliver cativa desde o primeiro momento e é fácil entender por quê Hadley se sente tão segura e confortável com ele.
A história ainda tem uma reviravolta que realmente me surpreendeu e fez com que minha admiração por Oliver aumentasse ainda mais. Além disso, faz Hadley repensar o modo como vinha conduzindo sua vida e, principalmente, sua relação com o pai.
Eu pensava que essa seria uma simples história de amor voltada para o público adolescente. No entanto, o que realmente me cativou nessa história foi a relação da família. Tanto a relação de Hadley com a mãe quanto a relação dela com o pai se desenvolvem de uma maneira muito bonita. As dúvidas e os ressentimentos da menina são muito naturais, o que tornam as ações dela realmente compreensíveis.
“Apesar de saber que não passava de uma coleção de minutos, um após o outro, nunca percebeu, como hoje, o fato de que minutos viram horas, de que meses poderiam rapidamente ter virado anos, o quão perto esteve de perder uma coisa muito importante para o movimento incessante do tempo”.
O romance entre o casal também é muito cativante. Eles vão compartilhando seus medos e inseguranças, mas, ao mesmo tempo, têm momentos muito divertidos e românticos. São daqueles casais tão fofos que conquistam a torcida do leitor logo começo.
“Oliver é como uma música que ela não consegue esquecer. Por mais que tente, a melodia do encontro entre os dois fica tocando na cabeça repetidamente, cada vez mais agradável, como uma canção de ninar, como um hino; não tem como ficar cansada daquilo”.

Assim, é um livro que eu recomendo totalmente para quem gosta de um romance leve e divertido, que traz uma história envolvente e que comove o leitor. A leitura é muito fluida, li as 224 extremamente rápido (questão de poucas horas). Mérito para a escrita de Jennifer E. Smith, que é divertida e envolvente. Com esse tempinho frio e o clima de romance provocado pela proximidade do Dia dos Namorados, A probabilidade estatística do amor à primeira vista é uma ótima opção de leitura. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Cinco casais da literatura


O Dia dos Namorados está chegando e, entrando nesse clima de romance, eu resolvi falar sobre os meus cinco casais preferidos da literatura. Foi um pouco difícil fazer essa lista, porque, como toda romântica incurável, eu sou fã de vários casais literários. Mas, com muito custo, consegui definir os cinco que eu mais gosto.

Anne Elliot e Frederick Wentworth – Persuasão, de Jane Austen.
Esse é um dos meus livros preferidos da vida, e o principal motivo para isso é a beleza e a força do amor desse casal. Eles se conhecem ainda muito jovens e se apaixonam. Porém, a diferença social entre eles acaba levando uma amiga da família Elliot a persuadir Anne a romper o compromisso. Os dois seguem caminhos diferentes, mas ambos sofrem muito pelo rompimento. Oito anos depois, Anne e Frederick se reencontram e precisam ver se o tempo e as mágoas acabaram com o amor que sentiam ou se ele havia conseguido resistir ao tempo. 
"Sinto-me entre a agonia e a esperança. Não me diga que é muito tarde, que sentimentos tão preciosos morreram para sempre. Declaro-me mais uma vez a si com um coração que é ainda mais seu do que quando o despedaçou a oito anos e meio". 
 Tem como não se apaixonar por essa história? Acho que não.


Fani e Leo – Fazendo meu filme, da Paula Pimenta.
Esse casal é sem dúvida o mais fofo de todos os livros que já li. O Leo e a Fani eram amigos, mas ele sempre foi apaixonado por ela, que nunca percebeu nada. O problema é que a Fani só percebe os sentimentos dele, e os dela mesma, quando o Leo já tinha desistido. A partir daí, vem muita confusão e desencontro. Mas os momentos dos dois são muito lindos. Desde antes da Fani perceber o que o Leo sente por ela, você já começa a torcer pelo casal.


Magnus e Alec – Os Instrumentos Mortais, da Cassandra Clare.
            Esse foi um casal que me surpreendeu muito. Apesar de Magnus ter se tornado rapidamente um dos meus personagens preferidos da série, confesso que não gostava muito do Alec no começo. Mas parece que o Magnus transmitiu uma força e uma vivacidade maior para o Alec, deixando o personagem muito mais interessante. Aos poucos, comecei a torcer muito para eles superarem as dificuldades e ficarem juntos, porque é um casal que merece muito ser feliz. Fiquei apaixonada pela história dos dois e, sem dúvida, Malec já é um dos meus casais preferidos da literatura.

Maxon e América – Série A Seleção, da Kiera Cass
O que dizer desse casal? Sou time Maxon desde o começo do livro e torci muito para eles ficarem junstos. A América é teimosa e voluntariosa, fala o que pensa e age sem pensar. Já o Maxon é romântico, sensível, calmo e atencioso. Os dois tem personalidade muito diferente, mas acho que foi justamente isso que tornou o casal tão fofo. Acho difícil alguém conseguir não amar esse casal.


Elizabeth Bennet e Sr. Darcy – Orgulho e Preconceito, da Jane Austen.
            É impossível fazer uma lista com os melhores casais da literatura e não falar sobre Elizabeth e o senhor Darcy. Não é sem motivo que eles são tão marcantes. É um casal que supera mais do que a diferença social, mas também os temperamentos quase opostos, o orgulho, a teimosia e o preconceito de ambos. Eles amadurecem muito ao longo do livro e de uma maneira tão encantadora, que não tem como não torcer para dar tudo certo e eles terem um “felizes para sempre”.


            Foi tão difícil definir essa lista que, com certeza, pretendo fazer a segunda parte dela futuramente. Muitos casais da literatura que eu adoro ficaram de fora, então, quero falar sobre eles mais para frente. Por enquanto, espero que vocês gostem desses que eu listei e se apaixonem por essas histórias tanto quanto eu. 

domingo, 5 de junho de 2016

[Dica da Malu] O Andarilho das Sombras

Autor: Eduardo Kasse
Editora: Draco
Páginas: 384

Sinopse: O Andarilho das Sombras, primeiro livro da Série Tempos de Sangue de Eduardo Kasse, conta uma história instigante de como as escolhas, os caminhos tortuosos e uma maliciosa promessa criaram um grande mal. Harold Stonecross, protagonista do livro, é carismático, sedutor e fatal. Sempre envolto em mistérios enquanto caminha pelas ruelas escuras e imundas das cidades e vilas medievais da Inglaterra, Irlanda e França dos séculos XI e XII. Toda a narrativa é permeada e entrelaçada com fatos históricos e pessoas reais, com uma visão ficcional sobre o que poderia ter acontecido – ou aconteceu… Uma saga de deuses esquecidos, dogmas e mitos em que Harold narra as passagens da sua longa existência, repletas de conexões com tempos passados, presentes, imemoriais, vida humana e renascimento. O mundo se tornou o seu palco. Homens, mulheres, nobres ou religiosos, não importa: sempre haverá um rastro de sangue após as cortinas baixarem. Porque as teias do destino há muito tempo foram trançadas… Essa é a vida do homem que, por desespero e na iminência da morte, recebeu um dom e ao mesmo tempo uma maldição… Para ele e para a humanidade.

Pude ler O Andarilho das Sombras, primeiro volume da série Tempos de Sangue, por meio de uma ação de e-books da Editora Draco em parceria com a Amazon. Esse foi o primeiro livro do autor brasileiro Eduardo Kasse que eu li, e confesso que me surpreendi.
Como foi contado na sinopse, a história se passa na Europa medieval nos séculos XI e XII e acompanha Harold Stonecross, narrando suas viagens e aventuras tanto em sua vida humana quanto após se tornar um vampiro. Assim, o livro, que é narrado pelo próprio protagonista, vai intercalando presente e passado, permitindo que o leitor se envolva com a história aos poucos, a medida que vai conhecendo mais sobre a vida de Harold.
O primeiro ponto que destaco nesse livro, e que é sem dúvida o que eu mais gostei, é o excelente retrato histórico feito por Eduardo Kasse. O autor não só mistura muito bem fatos reais com a ficção, como faz uma descrição muito detalhada (sem ser cansativa) de como era a vida na Europa medieval, retratando desde a falta de higiene e as precárias condições de vida até a grande influência da Igreja, que se aproveitava da fé das pessoas para se enriquecer.  Aliás, o livro é permeado por críticas a esse período, mas também ao comportamento do ser humano ao longo da história.
“- As pessoas se esqueceram das coisas mágicas do mundo! – respondeu – Só cantam sobre a dor, os pecados, as punições e o inferno quente!”

“- O povo sempre precisa de algo para se apegar, para esquecer um pouco a sua vida miserável e submissa.”
Tenho que admitir que, apesar de gostar de livros de fantasia, não sou muito fã de histórias de vampiro. Por esse motivo, no começo de O Andarilho das Sombras, tive uma certa prevenção. No entanto, o protagonista foi tão bem construído, que acabou me conquistando. O autor conseguiu conferir a Harold sentimentos tão complexos, que o tornaram bastante real. Ao mesmo tempo que sua condição de vampiro o tornou cruel, alguém que mata por necessidade e por prazer, ele ainda é capaz de amar e sofrer pelas pessoas que perde. Além disso, o fato de irmos conhecendo aos poucos tanto sua história como vampiro quanto sua vida como humano, também ajuda a torna-lo ainda mais instigante.
“Muitos me chamam de demônio, todos me temeram antes da última gota de sangue se esvair e alguns poucos admiraram a minha vida, mas ninguém sobre essa terra estranha acreditaria na minha tristeza e em todas as lágrimas derramadas. Ninguém!”
O livro conta ainda com diversos personagens, mas destaco alguns como realmente interessantes e fundamentais para a história. A primeira é Liádan, uma bela jovem por quem Harold se apaixona quando já era um vampiro. Uma personagem inteligente e forte, que tem uma grande importância para a trama e para o destino de Harold. Outro personagem que gostei muito é Espeto, um caçador solitário, que acolhe Harold e seu irmão, quando ele ainda era um menino, ensinando-os a caçar. Espeto é um homem simples, mas muito sábio, e é fundamental no amadurecimento de Harold como homem.
Mas meu personagem preferido da história foi Edred, irmão de criação de Harold, que proporcionou alguns dos momentos mais divertidos e alguns dos mais tristes do livro. Ele é um personagem extremamente sincero, que fala o que pensa sem se importar, com uma espontaneidade quase infantil. Por outro lado, ele surpreende com sua força e uma inesperada maturidade, além de ser um personagem amoroso e muito fiel. Se tem um personagem nesse livro ao qual eu realmente me afeiçoei, foi Edred.
Um problema que senti no livro é que o jogo entre os deuses mencionado na sinopse é pouco explorado na história. Na verdade, esse conflito só aparece, de fato, no final da história. Acredito que a história teria sido muito mais interessante se essa trama envolvendo os deuses fosse mais trabalhada ao longo do livro.
Outro aspecto que não gostei foi que achei o desfecho muito apressado. A história se arrasta muito em alguns pontos que não são tão importantes, mas no momento em que grandes revelações são feitas e os deuses finalmente aparecem, tudo é resolvido muito rapidamente.
Apesar desses problemas, gostei do livro e acho que já vale a leitura pelo excelente retrato histórico e pela competência do autor ao misturar ficção e realidade. Além disso, a história de Harold é realmente interessante, tanto em sua vida humana quanto como vampiro. É uma trama envolvente, que leva o leitor a querer saber mais sobre o passado do protagonista e a se importar com o seu destino. Para quem gosta de livros de fantasia e mistério, é uma boa dica de leitura.


*Os outros livros da série são Deuses Esquecidos e Guerras Eternas, também publicados pela Editora Draco. 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Wishlist - Lançamentos de Junho


Junho, esse mês maravilhoso, cheio de festas juninas e comidas típicas deliciosas, já começou. Mas, não foi só isso que o novo mês trouxe. As editoras estão preparando lançamentos incríveis que chegam nas livrarias agora em junho. Assim, preparei uma lista com as novidades mais interessantes.

Edição Ilustrada de Harry Potter e a Pedra Filosofal – J. K. Rowling
Editora: Rocco/ Páginas:
Sinopse: Primeiro livro da série que se transformaria no maior fenômeno do mercado editorial de todo o mundo, com traduções em 75 idiomas e mais de 450 milhões de exemplares vendidos, Harry Potter e a pedra filosofal, que apresentou ao mundo o menino órfão que se descobre herói do mundo bruxo, chega às livrarias em edição ilustrada. Perfeita para a legião de fãs da série de J.K. Rowling e para as novas gerações que estão descobrindo a leitura, a nova edição é ilustrada pelo britânico Jim Kay, ganhador da Kate Greenaway Medal, que fez um trabalho minucioso ao recriar o universo de Harry Potter em imagens e cores. O livro tem capa dura com sobrecapa e miolo em papel couché.
Preciso dizer que estou apaixonada por esse livro? Acho que não. Essa edição linda, preparada pela Editora Rocco com todo capricho, está disponível nas livrarias desde o dia 1º de junho.

A outra história – Tatiana de Rosnay
Editora: Intrínseca / Páginas: 272 / Lançamento: 27/06
Sinopse: Aos vinte e quatro anos, Nicolas Duhamel se depara com um segredo perturbador, há décadas mantido a sete chaves por sua família. Perplexo, ele parte em uma cruzada na busca por suas verdadeiras origens, uma empreitada que o inspira a escrever seu primeiro romance, O envelope. Depois de três anos do inesperado e estrondoso sucesso mundial do livro, Nicolas é um autor vaidoso, com muitos fãs, obcecado pela fama e pelas redes sociais a ponto de deixar de lado família e amigos. Contudo, não consegue escrever nem uma linha sequer. Hospedado em um luxuoso resort na costa da Toscana, ele tenta vencer o bloqueio criativo, mas, em vez de paz e de tranquilidade que lhe permitirão criar a outra história, o que Nicolas encontra poderá colocar em jogo todo o seu futuro.
Ágil, repleto de camadas e belamente escrito, A outra história é uma reflexão sobre identidade, o processo de ser escritor e a glória e o preço da fama, um retrato de como as decisões de antigas gerações ecoam no presente e moldam o futuro.

Lugar nenhum- Neil Gaiman
Editora: Intrínseca/ Páginas: 336 / Lançamento: 17/06
Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1997, a partir do roteiro para uma série de TV, o sombrio e hipnótico Lugar Nenhum, primeiro romance de Neil Gaiman, anunciou a chegada de um grande nome da literatura contemporânea e se tornou um marco da fantasia urbana. Ao longo dos anos, diferentes versões foram publicadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, e Neil Gaiman elaborou, a partir desse material, um texto que viesse a ser definitivo: esta edição preferida, que também inclui uma introdução do autor, uma cena cortada e um conto exclusivo.
Em Lugar Nenhum, Richard Mayhew é um homem simples de coração bom que tem a vida transformada quando ajuda uma jovem que encontra ferida numa calçada. De um dia para o outro, Richard se torna invisível na Londres que sempre conheceu: não tem mais trabalho, não tem mais noiva, não tem mais casa. Para recuperar sua vida, ele se embrenha em um mundo que nunca sonhou existir, uma cidade que se abre nos esgotos e nos túneis subterrâneos: a chamada Londres de Baixo, em que personagens únicos e cenários mirabolantes fazem a Londres de Cima parecer uma mera paisagem cinza.

O príncipe de Westeros e outras histórias – George R. R. Martin e Gardner Dozois.
Editora: Arqueiro / Páginas: 464 / Lançamento: 01/06
Sinopse: Se você é fã de literatura fantástica, irá se deliciar com esta antologia de contos organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois. Obras inéditas dos melhores autores do gênero irão surpreendê-lo com enredos ardilosos e reviravoltas intrigantes. O próprio George R. R. Martin apresenta uma nova história do apaixonante e violento mundo de A Guerra dos Tronos, introduzindo um dos personagens mais canalhas de Westeros.
Acompanhe grandes autores, como Gillian Flynn, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Scott Lynch e muitos outros, nesta coletânea emocionante sobre vigaristas, mercenários e ladrões.

Três coisas sobre você – Julie Buxbaum
Editora: Arqueiro / Páginas: 288 / Lançamento: 01/06
Sinopse: Setecentos e trinta e três dias depois da morte da minha mãe, 45 dias após o meu pai fugir para se encontrar com uma estranha que ele conheceu pela internet, 30 dias depois de a gente se mudar para a Califórnia e apenas sete dias após começar o primeiro ano do ensino médio numa escola nova onde conheço aproximadamente ninguém, chega um e-mail. Deveria ser no mínimo esquisito, uma mensagem anônima aparecer do nada na minha caixa de entrada, assinada com o bizarro nome Alguém Ninguém. Só que nos últimos tempos a minha vida tem estado tão irreconhecível que nada mais parece chocante...

Meio Rei - Joe Abercrombie
Editora: Arqueiro / Páginas: 288 / Lançamento: 01/06
Sinopse: Filho caçula do rei Uthrik, Yarvi nasceu com a mão deformada e sempre foi considerado fraco pela família. Num mundo em que as leis são ditadas por pessoas de braço forte e coração frio, ser incapaz de brandir uma espada ou portar um escudo é o pior defeito de um homem.  Mas o que falta a Yarvi em força física lhe sobra em inteligência. Por isso ele estuda para ser ministro e, pelo resto da vida, curar e aconselhar. Ou pelo menos era o que ele pensava.
Certa noite, o jovem recebe a notícia de que o pai e o irmão mais velho foram assassinados e não lhe resta escolha a não ser assumir o trono. De uma hora para outra, ele precisa endurecer para vingar as duas mortes. E logo sua jornada o lança numa saga de crueldade e amargura, traição e cinismo, em que as decisões de Yarvi determinarão o destino do reino e de todo o povo.
Joe Abercrombie nos apresenta um protagonista surpreendente, numa história de percalços e amadurecimento que abre a trilogia Mar Despedaçado.

Em algum lugar nas estrelas – Clare Vanderpool
Editora: Dark Side / Páginas: / Lançamento: 10/06
Sinopse: Em Algum Lugar nas Estrelas, da autora norte-americana Clare Vanderpool, é um romance intenso sobre a difícil arte de crescer em um mundo que nem sempre parece satisfeito com a nossa presença. Pelo menos é desse jeito que as coisas têm acontecido para Jack Baker. A Segunda Guerra Mundial estava no fim, mas ele não tinha motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai... bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine (o mesmo estado onde vivem Stephen King e boa parte de seus personagens). O colégio militar, o oceano que ele nunca tinha visto, a indiferença dos outros alunos: tudo aquilo faz Jack se sentir pequeno. Até ele conhecer o enigmático Early Auden. Early, um nome que poderia ser traduzido como precoce, é uma descrição muito adequada para um prodígio como ele, que decifra casas decimais do número Pi como se lesse uma odisseia. Mas, por trás de sua genialidade, há uma enorme dificuldade de se relacionar com o mundo e de lidar com seus sentimentos e com as pessoas ao seu redor. Quando chegam as festas de fim de ano, a escola fica vazia. Todos os alunos voltam para casa, para celebrar com suas famílias. Todos, menos Jack e Early. Os dois aproveitam a solidão involuntária e partem em uma jornada ao encontro do lendário Urso Apalache. Nessa grande aventura, vão encontrar piratas, seres fantásticos e até, quem sabe, uma maneira de trazer os mortos de volta – ainda que talvez do que Jack mais precise seja aprender a deixá-los em paz.
Detalhe para a beleza desta edição da DarkSide. Vi algumas imagens no site da editora e fiquei encantada. Maravilhoso!


Bom, esses foram os lançamentos previstos para esse mês que eu vi e me chamaram a atenção. Ficou com vontade de ler algum? Porque eu quero todos. 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

[Divulgação] Projeto "Turista Literário"


Hoje eu venho apresentar um projeto de incentivo à leitura muito bacana, criado pelas irmãs Mayra, booktuber do canal All About That Book, e Priscilla. Quando crianças, as duas adoravam ler juntas, e a Priscilla, que é a mais velha, criava um ambiente para Mayra na hora da leitura, com trilha sonora, iluminação diferenciada e até velas aromáticas ou incensos, tudo para entrar no clima e fazer uma verdadeira viagem ao universo da obra. Daí surgiu a ideia do Turista Literário, um projeto que pretende estimular a leitura entre os jovens por meio de uma experiência sensorial e inédita.

Trata-se de um serviço de assinatura que vai além dos já existentes no Brasil e em outros lugares do mundo, pois não se resume a entrega de um livro em casa. O leitor ou leitora que assinar um dos dois “pacotes de viagem literário” disponíveis poderá embarcar no universo do livro do mês. Assim, ele (a) receberá uma “mala surpresa” onde encontrará uma obra escolhida cuidadosamente pensando no público alvo, além de mimos e outros itens que compõem o kit. Esses itens têm como objetivo despertar os sentidos do leitor: a audição, através de uma playlist elaborada de acordo com o tema da obra daquele mês; o olfato ou paladar, com elementos aromáticos ou comestíveis; e o tato, com um item para tocar. Além disso, ainda vem um brinde especial com uma arte exclusiva relacionada ao universo do livro, um souvenir de viagem.
Mas como funciona o Turista Literário? O leitor ou leitora escolhe um dos pacotes e faz a assinatura. A viagem começa quando a mala surpresa é entregue ao assinante. Junto com ela, vem um passaporte, para registrar o destino para onde viajou com o Turista Literário naquele mês, e um carimbo a ser colado nele.
Os temas das obras serão variados, mas terá uma inclinação inicial para livros de Fantasia. Além disso, todas as obras, independente do tema, serão sempre adequadas para o público jovem adulto (14-24 anos).
As inscrições serão feitas apenas via internet, pelo endereço www.turistaliterario.com.br, e os lotes serão limitados. As opções de pacote são: avulsa, que é só para um mês e não garante a mala do mês seguinte, e contínua, na qual a renovação para o mês seguinte é automática.
Aqui tem um vídeo da Mayra explicando direitinho como o projeto funciona:



Para mais informações:

TURISTA LITERÁRIO – Explore o universo fantástico da leitura
- Assinatura de livros YA lançamento, com itens sensoriais sobre o universo da obra.
Abertura de inscrições dia 1° de junho de 2016
Informações e assinaturas pelo site: www.turistaliterario.com.br
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