sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

[Das páginas para o cinema] Divergente

Diretor: Neil Burger
Elenco: Shailenne Woodley, Theo James, Kate Winslet, Ansel Elgort, Miles Teller
Ano: 2014/ Nacionalidade: EUA
As distopias (histórias passadas em um futuro pós-apocalíptico) têm feito muito sucesso, especialmente entre os jovens leitores. Algumas dessas histórias já ganharam adaptações para o cinema, repetindo na telona o bom rendimento dos livros que as originaram. Por este motivo, escolhi trazer para a coluna Das páginas para o cinema os dois primeiros filmes da série Divergente, inspirados na trilogia homônima da autora norte-america Verônica Roth.
Hoje falarei especificamente do primeiro filme da série. A trama se passa em futuro distópico, na cidade de Chicago. Para manter a paz e a ordem, as pessoas foram divididas em cinco facções, Franqueza, Amizade, Erudição, Audácia e Abnegação, sendo que cada uma delas era responsável por uma função na sociedade. Todos os jovens devem ser submetidos a um teste, ao completarem 16 anos, para descobrirem em qual facção se enquadram.
Apesar de poderem escolher em qual facção vão ficar, independente do teste, as pessoas geralmente têm aptidão para apenas uma. No entanto, a protagonista, Beatrice Prior, não se encaixa em apenas uma facção, mas em três, o que faz dela uma divergente. Os divergentes não eram aceitos nessa sociedade, portanto, Beatrice precisa esconder sua personalidade e acaba optando por sair da sua facção de origem, a Abnegação, e se mudar para a Audácia. A partir daí, ela adota um novo nome (Tris) e passa a tentar se adaptar à nova facção enquanto esconde o fato de ser uma divergente.
O filme, dirigido por Neil Burger, se mantém muito fiel ao livro, trazendo para o cinema o universo instigante presente nos livros. Contribui muito para o sucesso do filme a escolha do elenco, especialmente a carismática Shailenne Woodley (de A Culpa é das Estrelas) que se encaixa perfeitamente no papel da protagonista Tris. Ela consegue passar toda a insegurança de Tris com relação ao seu futuro, o conflito entre o desejo de liberdade e o amor pela família, e o medo das consequências de suas escolhas. Além disso, é possível ver como a personagem evolui ao longo do filme, se tornando mais confiante a medida que se adapta a sua nova vida.
Divergente merece elogios também por não tentar imitar outras franquias voltadas para o público jovem, contornando, até mesmo, a comparação com outra distopia de sucesso, Jogos Vorazes. O ponto fraco do filme é não explorar tanto o universo retratado e a organização daquela sociedade, com as funções exatas de cada facção, em especial a Amizade e a Franqueza.  No entanto, como primeiro filme de uma série, este funciona muito bem para apresentar o universo e os personagens para o público, e despertar o interesse pelos próximos. 

*Semana que vem, comentários sobre o segundo filme da série, Insurgente. E, em breve, resenhas dos três livros da série. 

Rumor: Novo livro de Harry Potter?

Para aqueles que, como eu, são fãs da série Harry Potter, essa pode ser uma notícia maravilhosa. Segundo o site The Rowling Library, a peça de teatro “Harry Potter and the cursed child” poderá ser lançada como livro. A história da peça, que estreia em junho, em Londres, gira em torno do segundo filho de Harry, Alvo Severo.
Ainda de acordo com o site, duas editoras se mostraram interessadas em obter os direitos para publicar a história. É importante ressaltar, no entanto, que ainda não houve nenhuma confirmação oficial, por isso trata-se apenas de um rumor.
Cabe aos fãs de Harry Potter, então, torcer para que esta notícia se confirme.

Bienal do Livro de Minas Gerais

A Bienal do Livro de Minas Gerais, que ocorrerá em Belo Horizonte entre os dias 15 e 24 de abril, divulgou o nome dos responsáveis pelo espaço Geek & Quadrinhos, que terá uma programação voltada para o universo das HQs e da literatura geek. O espaço, que promete ser um dos mais concorridos do evento, terá curadoria de Afonso Andrade, que coordenou o Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, e Eduardo Damasceno, autor, diretor de arte para animação e um dos fundadores do site e do selo de publicações Quadrinhos Rasos. Mais informações sobre a Bienal do Livro de Minas Gerais aqui.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Os livros no Oscar 2016

No dia 28 de fevereiro, ocorre a cerimônia do Oscar, o mais famoso prêmio do cinema mundial. A lista com os indicados foi divulgada no dia 14 de janeiro e, entre eles, muitos filmes inspirados em livros. Por este motivo, resolvi trazer a lista dos filmes concorrendo na categoria de melhor filme e/ou roteiro adaptado com os respectivos livros que deram origem a eles.
Contando com 12 indicações ao Oscar (incluindo Filme, Diretor e Ator), o filme O regresso é baseado no livro homônimo de Michael Punke. O regresso, publicado no Brasil pela Editora Intrínseca, é inspirado na história real de Hugh Glass. O livro narra a história de Hugh que, durante uma viagem para um território ainda inexplorado no oeste dos Estados Unidos, no ano de 1823, é atacado por um urso e abandonado por seus companheiros de viagem. Hugh sobrevive e parte em busca de vingança contra aqueles que o abandonaram, enfrentando situações extremamente adversas. A adaptação para o cinema foi dirigida por Alejandro González Iñárritú e estrelada por Leonardo DiCaprio.  
Perdido em Marte, dirigido por Ridley Scott e estrelado por Matt Damon, foi indicado em sete categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. O filme é baseado no livro homônimo de Andy Weir, cuja trama gira em torno da tentativa de resgate do astronauta Mark Watney, deixado em Marte por sua equipe, que acreditava que ele havia morrido em um acidente. No Brasil, o livro foi publicado pela Editora Arqueiro.
O livro A jogada do século, de Michael Lewis e publicado no Brasil pela Editora Best Business, foi adaptado para o cinema no filme A Grande Aposta, do diretor Adam McKay. Este livro trata da crise financeira internacional de 2007/2008 e traz a história de um grupo que, prevendo o que aconteceria, decidiu apostar contra o mercado a fim de lucrar com a crise. O filme foi nomeado em cinco categorias do Oscar.
Brooklyn, de Colm Tóibín, se passa no início dos anos 1950 narra história de uma jovem irlandesa, Ellis Lacey, que,sem perspectivas em seu país, decide se mudar para os EUA. Ela passa a viver e trabalhar no Brooklyn, mas sente falta de casa e tem dificuldade para se adaptar ao novo país. Tudo muda quando Ellis conhece o bombeiro italiano Tony, por quem ela acaba se apaixonando. No entanto, ela precisa retornar à sua cidade natal, ficando mais uma vez dividida. O livro foi publicado pela editora Companhia das Letras e sua adaptação para o cinema, realizada pelo diretor John Crowley, recebeu três indicações ao Oscar.
O livro Quarto, da escritora irlandesa Emma Donoghue, deu origem ao filme O Quarto de Jack, nomeado em quatro categorias do Oscar. O livro conta a história de Jack, um menino de 5 anos que vive com sua mãe em um quarto de 7m². Aquele quarto era o mundo que Jack conhecia, no entanto, era também o cativeiro onde sua mãe era forçada a viver. No Brasil, Quarto foi publicado pela Editora Best Seller.
Carol, de Patricia Highsmith, inspirou o filme homônimo do diretor Todd Hayne, que rendeu a Cate Blanchet sua sexta indicação ao Oscar. A trama se passa na década de 1950 e gira em torno do romance entre duas mulheres, Carol e Thereze. A jovem Thereze era funcionária de uma loja de departamentos, onde acaba conhecendo Carol, uma elegante mulher que acabava de se separar do marido a quem não amava. As duas acabam se apaixonando, no entanto, precisam enfrentar o preconceito de familiares e amigos, e as ameaças do ex-marido de Carol. O livro foi publicado pela Editora L&PM. 




terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Dica da Malu: Persuasão

Autora: Jane Austen
Ano: 1818
Hoje resolvi trazer a dica de um dos meus livros preferidos, Persuasão, da escritora inglesa Jane Austen. Este é o último livro escrito por ela, tendo sido publicado no ano seguinte a sua morte.
Apesar de ter morrido jovem, deixando uma obra relativamente pequena, Jane Austen é considerada uma das mais importantes escritoras da literatura mundial. Seus romances mais conhecidos são Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade. No entanto, apesar de gostar muito desses dois livros (bem como de toda obra da autora), Persuasão ainda é o meu preferido.
A história do livro se passa entre o final do século XVIII e o início do século XIX, e traz como protagonistas Anne Elliot e o capitão Frederick Wentworth. Quando jovens, eles se apaixonaram e estavam dispostos a se casar, porém, ela é persuadida pela família a romper o compromisso. Eles se reencontram oito anos depois, quando a irmã e o cunhado de Frederick alugam o solar da família de Anne, e ele passa a cortejar a amiga dela, Louisa Musgrove.
Um dos aspectos que mais gosto neste livro é que, ao contrário de outros do gênero em que a história se desenvolve rapidamente, os protagonistas passaram anos afastados, seguindo rumos totalmente diferentes. Além disso, por não ser tão jovem como a maioria das heroínas românticas, Anne é uma personagem mais madura, convicta dos seus sentimentos e que aprendeu com o sofrimento causado por sua escolha.
Apesar de ser uma trama simples, os personagens são complexos e evoluem ao longo da história. Quando se reencontram, Anne e Frederick já não são os mesmos de quando se separaram, tendo que lidar com as novas circunstâncias de sua vida e com o ressentimento causado pelo rompimento. Além disso, os sentimentos e os conflitos dos personagens são tão sinceros que tornam a história atemporal.
Além disso, os personagens secundários também são bem desenvolvidos, proporcionando um retrato da sociedade inglesa do século XIX.É interessante, ainda, ver como Jane Austen usa esses personagens para fazer críticas sutis e ironizar o padrão de comportamento vigente na sociedade de seu tempo.
Assim, com uma história simples e personagens cativantes, Persuasão justifica a cada página o reconhecimento de sua autora como uma das mais importantes da literatura mundial*.  


*O livro conta com duas adaptações feitas pela BBC de Londres, uma de 1995 e outra de 2007, sendo esta última a mais conhecida.  

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Divulgação

Comunico aos leitores do Blog Dicas de Malu que o texto
“Ensinamentos poético-científicos”, de Alessandra Leles Rocha, foi publicado no BLOG da REVISTA OPINIAS:  http://opinias2014.blogspot.com.br/2016/01/ensinamentos-poetico-cientificos.html?spref=fb
Atenciosamente,
Marcos Gimenes Salun
Rumo Editorial Produções e Edições Ltda.

[Das páginas para o cinema] As vantagens de ser invisível

Livro: As vantagens de ser invisível (Original: The perks of being a wallflower)
Autor: Stephen Chbosky
Editora: Rocco
Ano: 2007
Paginas: 223
Filme: As vantagens de ser invisível (Original: The perks of being a wallflower)
Direção: Stephen Chbosky
Elenco: Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller
Ano: 2012 / Duração: 103 min
Nacionalidade: EUA
Sexta-feira chegou e com ela o esperado final de semana. Para quem quer aproveitar esses dias para ler ou ver um bom filme, pensei em trazer uma dica dupla: um filme e o livro que o inspirou.
Para hoje, escolhi “As vantagens de ser invisível”, escrito por Stephen Chbosky, que também roteirizou e dirigiu o filme homônimo. A história acompanha Charlie, um jovem solitário que está com dificuldade para lidar com alguns traumas, em especial, o suicídio de seu único amigo e a morte da tia em um acidente. Ao começar o Ensino Médio, Charlie sente-se isolado na escola, sem conseguir fazer novos amigos. Isso muda ao conhecer Patrick e sua meia-irmã, Sam. Com eles, Charlie vai viver novas experiências, enquanto se apoiam e aprendem a lidar com seus próprios dramas.
O filme é bastante favorecido pela escolha do elenco, em especial o trio de protagonistas. Logan Lerman (da série Percy Jackson) vive o introspectivo protagonista Charlie, enquanto Ezra Miller (do filme Precisamos falar sobre Kevin) dá vida ao irreverente Patrick. Já a jovem Sam é vivida por Emma Watson (a Hermione da série Harry Potter). Este trio de atores conseguiu trazer para o filme toda a delicadeza e complexidade de seus personagens, fazendo as pessoas se encantarem com a bela amizade que surge entre eles, mas também se sensibilize com as dúvidas e as angústias que enfrentam. Outro aspecto que favorece o filme é o fato de ter sido roteirizado e dirigido pelo próprio autor do livro, o que faz com que o filme consiga transmitir toda a sensibilidade da história.
Deste modo, tanto o filme quanto o livro trazem uma história que encanta, diverte e, ao mesmo tempo comove, retratando com sensibilidade temas difíceis e complexos. A leitura é simples e dinâmica, e o fato de ter sido escrito em forma de cartas, facilita para o leitor se aproximar do protagonista e compreendê-lo melhor. Já o filme, preserva a simplicidade e delicadeza da trama, bem como o carisma dos personagens, sendo beneficiado, ainda, por uma bela trilha sonora, que inclui clássicos do rock das décadas de 70, 80 e 90. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Iniciando a história... "O nome do vento"

Dica da Malu: O Nome do Vento: A Crônica do Matador do Rei – Dia Um

Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Arqueiro
Páginas: 656
Ano: 2009
Escolhi este livro para ser a primeira resenha do blog pelo fato de sua leitura ter sido uma agradável surpresa para mim. Escrito por Patrick Rothfuss e lançado no Brasil em 2009 pela editora Arqueiro, “O nome do vento” é um livro ainda pouco conhecido no país e, por isso, demorei a dar uma chance para ele. Algo que, com certeza, me arrependo.
Sempre me interessei pelos livros de fantasia, sendo Harry Potter a minha série favorita. No entanto, “O nome do vento” é diferente de qualquer outro livro deste gênero que já li. Primeiro da trilogia “A crônica do Matador de Reis”, este livro acompanha Kvothe, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de Kote, o dono da hospedaria Marco do Percurso. Quando um Cronista aparece na hospedaria procurando pelo protagonista de diversas histórias lendárias que havia escutado, Kote decide contar sua história: a infância com seus pais em uma trupe, o assassinato de sua família e dos demais membros da trupe por um grupo conhecido como Chandrianos, os anos em que sobreviveu na rua após a perda dos pais e, até mesmo, sua experiência na Universidade.
A medida que a história de Kote vai sendo contada, é possível perceber um personagem complexo e fascinante, que ao mesmo tempo que é o herói, corajoso e inteligente, é também impulsivo, vingativo e, às vezes, imprudente. Ter um personagem central tão envolvente, que em alguns momentos se comporta como um herói e, em outros, toma atitudes bastante questionáveis, é um dos fatores que tornam essa história diferente de outras que já li. Além disso, o universo que o autor apresenta nesta obra é descrito de uma maneira rica, que busca trazendo elementos que a tornem a história mais palpável ao leitor. Os lugares descritos se assemelham a histórias passadas na Idade Média, a magia apresentada se torna muito mais lógica ao ser explicada por meio de reações químicas, e os personagens são complexos e ricos. Isso faz com que, durante a leitura, aquele universo descrito se torne mais real, embora ainda seja uma fantasia.
Outro aspecto positivo é que a leitura flui de uma maneira gostosa. Ao contrário de alguns livros de fantasia que, por serem muito descritivos, acabam se tornando um pouco monótonos, Patrick Rothfuss procura em “O nome do vento” fornecer apenas as informações que os leitores precisam para compreender a história e aquele universo. Desta maneira, o leitor tem uma liberdade maior para poder imaginar os lugares descritos e os personagens apresentados, o que torna a leitura muito mais interessante e dinâmica.
Assim, só me resta dizer que este livro me conquistou a cada página e mal posso esperar para ler suas continuações*. Espero que gostem da dica e possam se admirar com esta história fantástica tanto quanto eu. Boa leitura!

*O segundo livro já foi lançado no Brasil, em 2011, com o nome “O temor do sábio: A crônica do Matador do Rei – Dia Dois”, também publicado pela editora Arqueiro. Em breve, dica da Malu!
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