quinta-feira, 24 de março de 2016

[Das páginas para o cinema] A Série Divergente: Convergente

Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Ansel Elgort, Miles Teller, Naomi Watts, Jeff Daniels, Octavia Spencer
Direção: Robert Schwentke
Ano: 2016/ Nacionalidade: EUA

Essa semana assisti ao filme Convergente, primeira parte da adaptação do último livro da série Divergente, de Verônica Roth. Confesso que, ao final do longa, fiquei com uma sensação de desapontamento. Eu havia gostado bastante dos dois primeiros longas (como falei aqui e aqui), mesmo observando alguns problemas no roteiro, especialmente do segundo. Já este terceiro filme alterou tanto a história do livro, que acabou tornando a trama confusa e, na minha opinião, simplista demais.
O filme começa exatamente no ponto onde Insurgente havia terminado (por isso, recomendo que não continue a leitura caso não tenha assistido os dois primeiros filmes ou lido os livros). Após a revelação do conteúdo da caixa com a mensagem dos criadores de Chicago, as facções foram desfeitas e Jeanine Matthews foi morta. No entanto, o conflito na cidade continua. Evelyn tenta se estabelecer como a nova líder da cidade, mas o seu modo de governar leva a mais divergências, dividindo a população e provocando uma guerra civil.
Enquanto isso, após ouvir a mensagem da caixa, Tris só consegue pensar em descobrir o que há além do muro. Junto com Quatro, Caleb, Peter e Cristina, Tris consegue escapar dos capangas de Evelyn e chegar ao outro lado do muro. O que eles descobrem é um lugar completamente destruído e, aparentemente abandonado. No entanto, eles são resgatados e levados para a cidade de onde tinham saído os fundadores de Chicago, um lugar com grande desenvolvimento tecnológico e aparente prosperidade.
A partir daí tudo se desenvolve de uma maneira rápida, deixando o espectador com a sensação de que falta algo. Tris é convencida a ajudar o líder daquele lugar, David, que garante que as pessoas que viviam em Chicago estavam danificadas e que era preciso ajuda-las para poder restaurar a paz na cidade. Por outro lado, Quatro desconfia imediatamente do comportamento de David, o que leva a um distanciamento entre ele e a Tris.
O principal problema do roteiro, na minha opinião, foi a superficialidade do desenvolvimento da trama, especialmente no período que eles passam na cidade fora do muro. Não fica claro o que aconteceu para destruir o mundo daquela maneira, como é o funcionamento daquela cidade tão mais desenvolvida que o resto (até mesmo do que Chicago), e por que há pessoas que vivem à margem daquilo tudo, em condições de vida aparentemente precárias.
Não que o filme seja de todo ruim, a premissa da história é boa e é possível perceber elementos para criar algo muito mais profundo e complexo. No entanto, o roteiro acabou optando por um desenvolvimento mais superficial da trama, caindo em muitos clichês.
Com relação ao elenco, acredito que todos se enquadram bem para seus personagens, o que ajuda a segurar o filme. Shailene Woodley continua segura no papel de Tris, apesar de um pouco mais apagada nesse longa devido aos problemas do roteiro. Octavia Spencer ganha um pouco mais de destaque nesse filme, o que é ótimo, pois dá a oportunidade de desenvolver mais a sua personagem, Johanna, que havia feito pouco em Insurgente. Mas quem continua roubando a cena é Miles Teller, como o cínico e egocêntrico Peter, que tem alguns dos melhores momentos do filme.
No geral, apesar de não ser um filme ruim, deixa o espectador com uma sensação de que poderia ter sido melhor caso alguns elementos da trama tivessem sido mais desenvolvidos. Em geral, não me incomodo tanto quando as adaptações não seguem fielmente os livros que as originaram, desde que a trama do longa funcione. Infelizmente, não foi o caso de Convergente. Talvez se a história criada por Verônica Roth tivesse sido mais preservada, o filme teria proporcionado uma experiência muito mais complexa e interessante.

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